MCG Talks | José Germano de Sousa: ‘As empresas familiares são pilares fundamentais da nossa economia.’

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Sendo a MCG uma empresa familiar a comemorar 75 anos de atividade, a mais recente edição da Revista M apresenta uma interessante entrevista com José Germano de Sousa, reconhecido médico patologista clínico (O.M.) e presidente da Associação das Empresas Familiares. Aqui fica o resumo desta conversa, que reforça a importância que estas empresas têm na dinâmica económica e empresarial que as rodeia.

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Numa altura em que a MCG assinala 75 anos de atividade em exigentes e variados mercados industriais, o facto de esta ser uma empresa familiar é encarado como um dos fatores que contribui para o sucesso. Quisemos, assim, explorar um pouco mais sobre o conceito de empresa familiar e como este tipo de empresas é importante para o tecido empresarial em Portugal.

Falámos então com a Associação das Empresas Familiares pela figura de José Germano de Sousa, reconhecido médico patologista clínico (O.M.) de profissão e presidente desta entidade, que amavelmente nos mostra como a associação presta apoio à atividade diária deste tipo de organização

“É com grande satisfação que aceito o convite para esta conversa, especialmente no âmbito das celebrações dos 75 anos da MCG. As empresas familiares desempenham um papel crucial no tecido empresarial português, e é essencial destacar a sua relevância e os desafios que enfrentam”, reforça José Germano de Sousa antes nos enquadrar no panorama nacional das empresas familiares.

Como estão as empresas familiares hoje no tecido empresarial português e qual a sua importância?

“As empresas familiares representam cerca de 70% a 80% do total das empresas em Portugal, empregando aproximadamente 50% da força laboral e contribuindo com cerca de 65% do PIB nacional. Estas empresas são pilares fundamentais da nossa economia, transmitindo legados de excelência. As empresas familiares são o modelo de excelência em que acredito para Portugal, são na verdade a identidade de Portugal.”

Há vantagens competitivas numa empresa familiar em relação a outras estruturas empresariais?

“Pela nossa experiência, nota-se que as empresas familiares são as empresas que têm os balanços mais sólidos. Tendem a ter uma visão de longo prazo, gerem para as gerações e não para o trimestre, têm uma cultura empresarial sólida e uma maior resiliência em períodos de crise. E estas características permitem-lhes enfrentar desafios com uma estabilidade que nem sempre é observada em outras estruturas empresariais.”

Podemos dizer que é possível aprender com as empresas familiares mais antigas em termos de resiliência e adaptação…

“Claramente. Empresas familiares centenárias mostram que a capacidade de adaptação às mudanças do mercado, a manutenção de valores sólidos e uma visão de longo prazo são essenciais para a longevidade e sucesso contínuo.”

Quais podem ser então os principais desafios que as empresas familiares enfrentam?

“Os principais desafios andam em redor da gestão da sucessão entre gerações, de questões de governança familiar e da adaptação a ciclos políticos e de crise, que são cada vez mais curtos. Uma sucessão negligenciada compromete o futuro da empresa…”

MCG Talks | José Germano de Sousa: 'As empresas familiares são pilares fundamentais da nossa economia.' MCG

Quais são as tendências futuras que poderão impactar as empresas familiares em Portugal?

“Tendências como a digitalização, a sustentabilidade e a globalização terão um impacto significativo. As empresas familiares que conseguirem integrar estas dimensões na sua estratégia estarão mais bem posicionadas para enfrentar os desafios futuros.”

Como vê o papel da inovação nas empresas familiares, especialmente em setores industriais como o da MCG?

“A inovação é essencial para a sustentabilidade e crescimento das empresas familiares. No setor industrial, a adoção de novas tecnologias e práticas inovadoras é crucial para manter a competitividade e responder às exigências do mercado.”

De que forma a Associação das Empresas Familiares tem apoiado estas empresas?

“A Associação das Empresas Familiares pode ajudar a vários níveis. Entre as principais formas de apoio, destaco a oferta de formação diversificada, muitas vezes gratuita para os associados, e também a organização e promoção de reuniões privadas entre famílias e consultores especializados para auxílio na gestão de desafios específicos.”

Que conselhos daria a uma nova geração que esteja agora a assumir responsabilidades numa empresa familiar?

“Recomendo que se preparem adequadamente, adquirindo formação e experiência relevantes, e que promovam uma comunicação aberta com as gerações anteriores. Manter e construir sobre esse legado é essencial para a sustentabilidade e para o sucesso contínuo da empresa, exigindo um equilíbrio cuidadoso entre tradição e inovação.”

E que mensagem deixa às empresas familiares que celebram marcos importantes, como os 75 anos da MCG?

“Celebrar 75 anos é um feito notável e que merece reconhecimento. É uma prova de resiliência, adaptação e compromisso com a excelência. Que este marco seja um incentivo para continuar a inovar e a contribuir para o desenvolvimento económico e social de Portugal.”


Leia a entrevista completa na edição nº 11 da Revista M: