A Vida de Manuel da Conceição Graça - Pt. I


O INÍCIO

Nascido no Carregado a 17 de abril de 1923, Manuel da Conceição Graça (MCG) teve a sua primeira grande “vitória” com 11 anos apenas, após finalizar a 4ª classe com distinção no exame final: construiu uma carreta de bois em miniatura que arrebatou o primeiro lugar numa exposição dos trabalhos manuais efetuados por todos os alunos do concelho de Azambuja.

Este tipo de equipamento era normalmente puxado por quatro bois e era usado na Lezíria do Ribatejo para a agricultura e alguns tipos de transporte ligeiros.

Manuel da Conceição Graça, o fundador da MCG, na sua juventude.

Naquela altura, sair da escola significava ter de começar a aprender um ofício, pelo que o futuro fundador da MCG iniciou atividade como aprendiz de carpinteiro com o seu pai na Quinta de Santo António, que era propriedade de António Rodrigues Vaz Monteiro.

Mais tarde, quando tinha apenas 12 anos, Manuel da Conceição Graça começa a trabalhar na Castanheira do Ribatejo, numas oficinas que eram propriedade de José Francisco Pais e que produziam material de incêndio: carros para bombeiros, autotanques, escadas de diversos tipos, ambulâncias, autocarros e carroçarias de carga para todos os tipos de veículos.

Enquanto trabalhava nestas oficinas juntamente com outros 37 funcionários, o protagonista desta história resolveu começar a aprender música. Com apenas 13 anos, aprendeu a tocar trompete e fundou uma orquestra composta por dez elementos. Este agrupamento musical viria a ter bastante sucesso e a conseguir angariar dinheiro para várias causas sociais, como veremos mais à frente nesta história de vida do fundador da MCG.

Manuel da Conceição Graça quando ainda era criança.
Carreta de bois construída na 4ª classe.
Manuel da Conceição Graça, em cima à direita, com um grupo de amigos na praia.
Manuel da Conceição Graça, à direita, no final do seu tempo de serviço militar.
O primeiro veículo "pronto-socorro" em que Manuel da Conceição Graça trabalhou a chapa, com 17 anos.

Regressamos ao início da vida profissional de Manuel da Conceição Graça (MCG), quando ele já trabalhava nas oficinas de produção de material de incêndio, na Castanheira do Ribatejo. Certo dia, tinha MCG apenas 16 anos, apareceu nas oficinas um proprietário de lagares de azeite naquela localidade e também em Vila Franca de Xira.

Era preciso construir uma porca em madeira muito específica para reativar um lagar que estava parado. MCG deslocou-se ao local e regressou com a certeza do que era necessário fazer, mas o encarregado das oficinas afirmou ser impossível executar tal trabalho. 

O cliente saiu da oficina desanimado, mas o protagonista desta história insistiu que era capaz de construir a porca em causa. Quatro dias depois, a porca estava pronta, foi colocada no fuso e funcionou perfeitamente. MCG recebeu 500 escudos e 50 litros de azeite como forma de agradecimento!

Mais tarde, com 17 anos, MCG registou outro grande êxito na sua profissão. Já era carpinteiro de carroçarias a ganhar 35 escudos por dia (o encarregado ganhava 40 escudos) quando se atreveu a sugerir ao patrão que o deixasse forrar a chapa o veículo “pronto-socorro” que estava em produção para entrega em Cacilhas, isto depois de ter tido um feedback muito mau ao propor a tarefa ao seu encarregado.

O patrão aceitou e foi a Lisboa comprar as ferramentas certas, pois o “pronto-socorro” já tinha a estrutura de madeira e estava pronto para os “bate-chapas” começarem a trabalhar.

MCG começou o trabalho numa 2ªfeira, enquanto todos os colegas gozavam com ele. MCG falou com o patrão por causa deste problema e deixou um aviso, sendo que, mais tarde, um deles acabou por ter de fazer uma “visita” ao hospital. Este episódio valeu o despedimento ao fundador da MCG, mas ao fim de três dias o patrão pediu o seu regresso. Um dia depois, o “pronto-socorro” estava pronto e MCG passou a ser o “bate-chapa” principal das oficinas.

Entretanto, com o “sonho” da música dificultado por causa do elevado preço dos instrumentos musicais, MCG fundou um grupo teatral no Carregado, com cerca de 40 elementos, que viria a financiar esses valores. O dinheiro reunido deu ainda para ajudar na construção da igreja do Carregado.