“SEMPRE TIVE BOA RELAÇÃO COM TODAS AS PESSOAS”

Pedro Simões passou na MCG 42 anos da sua vida. De todo o seu percurso o que mais guarda na memória são as pessoas.

Chegou à MCG com 15 anos… Como aprendeu o seu ofício na altura?

Cada oficial tinha o seu ajudante. E eu vim para ser ajudante de bate-chapa e aprender o ofício, como muitos outros na altura. Naquela altura trabalhava-se à mão a fazer portas, tejadilhos e capôs para automóveis e era a ver e a ajudar os mais velhos que íamos aprendendo e fazendo por nós próprios.

Como era a relação entre líderes e colaboradores na altura?

Julgo que era muito diferente do que é agora. E as pessoas responsáveis pelo trabalho na MCG eram muito exigentes, até porque o trabalho tinha que ficar perfeito. Dou-lhe um exemplo: na produção de tejadilho, era preciso pingar e soldar, mantinha o maçarico em cima da perna sempre a jeito, e às vezes sentava-me numa lata ou noutra coisa qualquer para dar mais jeito. E o chefe ia logo ter comigo porque não queria ninguém a trabalhar sentado!

Encontro. Pedro Simões e João Carlos, diretor de Supply Chain da MCG.

E quando chegou a sua vez de ser chefe? Como foi?

Correu tudo bem, na maior parte das vezes. Desde que entrei na MCG que sempre respeitei toda a gente. Por isso, dando-me ao respeito consegui que todos me respeitassem enquanto colega e enquanto chefe.

Como é que a sua geração encarou a chegada das primeiras máquinas e tecnologias?

Com muita naturalidade, pois o processo foi acontecendo. A primeira máquina chegou para estampar peças e depois nós só tratávamos da montagem. Mas os processos foram passando a ser mais automatizados ao longo do tempo, combinando o nosso trabalho com o que as máquinas conseguiam fazer. Foi normal.

Como foi evoluindo na MCG?

Passei a chefe de equipa e depois evolui para chefe de secção de bate-chapa por altura do início da produção de componentes para o projeto Ford P100, que na minha opinião foi um dos maiores projetos desta empresa. Isto foi em 1982ou 1983, talvez. E noutro grande projeto, o de produção de portas também para a Ford, acabei por acompanhar as muitas operações que estes componentes tinham. Aqui eu já era o chefe de secção da parte mais moderna dos processos de bate-chapa. E passei depois para chefe de todo o sector de produção, posição que ocupei durante mais de 15 anos.

Pedro Simões. Este ex-Colaborador da MCG passou na empresa mais de 42 anos da sua vida.

“Nos primeiros tempos após ter saído da MCG, ao passar ao portão ainda me arrepiavam os pelos dos braços…”

Lembra-se de alguma história curiosa que queira contar-nos?

Oh, tantas! Falo-vos do Manuel da Graça, um homem que tinha uns olhos incríveis. Lembro-me de estar a fazer a frente de uma cabine, ele chegar ao pé de mim, tirar as medidas a olho e dizer-me que estava a fazer mal. O homem sabia fazer um desenho, sabia fazer tudo… Com os seus defeitos, como qualquer um tem, mas era uma pessoa extraordinária, sem dúvida.

O que acha da empresa que a MCG é hoje?

Esta empresa evoluiu de uma forma incrível. A mentalidade nova do José Miguel trouxe uma grande expansão à MCG, entrou em ramos de negócio diferentes, o que foi importante.

Naquela altura já ninguém de fora imaginava o que era feito cá dentro, a grandiosidade dos projetos. Agora é igual, quem passa à porta nem imagina… Uma evolução abismal!

O que significou a MCG na sua vida?

Representou tudo na minha vida, esta empresa, sem ser a minha vida familiar. Foi aqui que ganhei a minha vida, que me fiz homem. Foi a trabalhar cá que me casei, sempre tive os meus filhos… Sempre andei muito a pé, como ainda hoje ando, e nos primeiros tempos após ter saído cheguei a passar aqui ao portão e, ao ouvir as prensas a trabalharem, até os pelos dos braços se me arrepiavam…

Passei uma vida privilegiada na MCG.