“A MCG ERA UMA ESCOLA QUE NÃO HAVIA EM MAIS LADO NENHUM…”
Em 41 anos que passou na empresa, orgulha-se de “nunca se ter chateado com quem fosse”. Um pouco do percurso de João Firmino na MCG.”
No dia em que falámos com João Firmino, fazia exatamente dez anos desde o dia em que saiu da MCG, a 30 de Setembro de 2011. Como o próprio refere, foi um dia triste, por um lado, mas também uma satisfação por sempre ter feito aquilo que gostava. E lembra-se dessa altura tão bem quanto recorda o dia em que começou a trabalhar nas antigas instalações no centro do Carregado.
Entrou para a MCG com que idade e para fazer o quê?
Foi em 1970, tinha eu 18 anos. Em princípio era para vir para cá para ser torneiro mecânico, mas já cá havia pessoas com essas funções e acabei por ficar como serralheiro, a fazer as cabines para os camiões da Scania. Volvido um ano, mudei para a montagem de acabamento dessas cabines: montar portas, colocar forros, instalar vidros, fixar grelhas… Finalizar os interiores. Chegámos a fazer também veículos para as corporações de bombeiros!
Foi evoluindo dentro da empresa…
Sim, porque o trabalho era propício a isso. Eu por acaso já sabia soldar, já tinha trabalhado, mas normalmente quem entrava ia aprender o ofício com outros trabalhadores que já cá estavam. A MCG era uma escola como não havia por aqui em lado nenhum. Serralheiros, bate-chapa, aqui estavam os melhores da zona. Quem vinha para cá já sabia que ia aprender a trabalhar bem. Foi assim que passei para serralheiro de moldes, cunhos e cortantes, numa altura em que já se produzia cá na MCG a carroçaria dos jipes UMM e componentes para a Ford.

“Quando entrei na MCG fui para serralheiro, fazia as cabines dos camiões para a Scania.”
Mudou de funções várias vezes…
Tudo começou quando o Sr. Medeiros pensou que eu seria a pessoa certa para aprender programação e a trabalhar com uma fresadora. Estive em Espanha a aprender a trabalhar com uma grande fresadora que tínhamos para produzir os moldes para as peças para as carrinhas da Ford. Engraçado como se utilizava um master em madeira e depois a máquina tinha um “apalpador” que reproduzia o que detetava nesse molde em madeira.
Fui chefe de equipas nessas funções, mas, ao fim de alguns anos, perguntaram-me se eu queria passar para o controlo de qualidade. “Estou sempre disponível para novos desafios!”, respondi eu. E assim estive na qualidade até passar para a parte da engenharia, a detetar quais eram os problemas nos componentes produzidos.
Quando saiu, o que fazia?
Quando saí da MCG, já era aquilo a que se chamava de Engenheiro-Residente, que era a pessoa que se deslocava às fábricas dos clientes sempre que era necessário resolver qualquer problema que estivesse a acontecer. Modéstia à parte, eu tinha a “lata” que era precisa para as funções. Tive grandes discussões, mas também fiz grandes amigos!
Que projetos mais fizeram avançar a empresa no seu tempo?
Foi o projeto da peças para as carrinhas da Ford. Eram peças complicadas de produzir e de estampar, com um nível de exigência muito elevado por parte do cliente. E também o projeto do UMM, mas não o que se conhece. Um outro que estava pronto e que infelizmente nunca chegou a ser lançado.
Como testemunhou a evolução tecnológica da empresa?
Quando temos noção de como os processos e as tenologias nascem, é tudo mais fácil. Na minha altura, a fresadora que cá existia era a única no país! Depois houve uma evolução natural a todos os níveis. Mais: passámos semanas e semanas a fazer formação em Lisboa e Torres Vedras. Havia vontade dos operários em aprenderem mais e a empresa dava seguimento a isso. Depois quem estava responsável acabava por encontrar as pessoas que conseguiam evoluir melhor e mais depressa.

“Fiz um trajeto interessante dentro da MCG, passei por muitas funções diferentes.”
Lembra-se de histórias engraçadas?
Lembro-me de uma fantástica com o Sr. Manuel da Conceição Graça. Quando tivemos uns dias em Espanha a aprender a trabalhar com a fresadora, houve uma altura em que um dos funcionários ficou lá com a manga do casaco preso na máquina… De repente já estava o Manuel da Graça com um tubo na mão pronto para soltar o braço do homem e com os espanhóis todos aos gritos para ver se ele não estragava a maquinaria!

O que significou a MCG na sua vida?
Foi um crescimento ao longo de toda uma vida, foi o pertencer a uma família. Talvez hoje já não seja bem assim, mas na altura éramos uma verdadeira família.
Foi na MCG que evolui e percorri vários patamares. Sempre me trataram bem, tentei fazer o meu melhor e sempre gostei de cá estar.
