“O SEGREDO DA MCG É VALORIZAR SEMPRE AS PESSOAS”
Mário Castro esteve na MCG mais de 40 anos e histórias para contar não lhe faltam, especialmente as que estão relacionadas com a eterna amizade com Manuel da Conceição Graça.
Ainda a nossa conversa com Mário Castro estava a começar e já o assunto eram as mil e uma histórias e aventuras passadas com Manuel da Conceição Graça ao longo de muitos anos. “Eu via-o como se fosse um pai”, afirma este antigo Colaborador da MCG sobre a relação que tinha com o fundador da empresa.
Mas Mário Castro foi também um trabalhador aplicado na MCG. Chegou à empresa em 1974, saiu em 2014, e pelo meio nunca lhe passou despercebido o principal segredo do sucesso da organização: “valorizar as pessoas, os recursos humanos”. Aqui fica um resumo da conversa que tivemos com Mário Castro na visita que nos fez recentemente.
Entrou para a MCG com que idade e para fazer o quê?
Entrei com 18 anos para trabalhar como serralheiro civil. E vinha da Inácio Silva, uma empresa que era concorrente da MCG na altura, pois também construía carrocerias para veículos de bombeiros, tal como se fazia na MCG naquele tempo. Já sabia o ofício. Fazia carroçarias para camionetas da Scania, ainda nas instalações antigas, e cheguei a fazer também partes do jipe UMM. Já nestas instalações novas, passei para operador na secção que tinha as primeiras máquinas, que eram os balancés. Uns tempos mais tarde, o chefe António Henriques colocou-me a coordenar a equipa dos balancés, eram cerca de dez pessoas ao meu encargo. Eu preparava o trabalho todo, organizava os planos de produção, deixava os moldes prontos…
As colaboradoras só tinham de fazer o seu trabalho de operação. Nos últimos cincou ou seis anos na MCG, mais tarde, passei para as funções de manobrador de empilhadores, nas zonas de armazéns.

“Na altura fazia carroçarias para camionetas da Scania, ainda nas instalações antigas, e cheguei a fazer também partes do jipe UMM.”
Como via acontecer a transmissão de conhecimentos aos mais novos?
Há pessoas que não gostam de passar aos outros o que sabem. Mas eu nunca fui assim. O que eu sabia fazer, a experiência que tinha, eu ensinava tudo às pessoas que chegavam. Dessa forma os membros da equipa passavam a fazer as coisas por eles, sem a minha ajuda.
Em processo de ensaios de moldes, por exemplo, eu estava sempre a coordenar, estava sempre por perto a dar apoio.
Mas de resto todos trabalhavam por eles… Quando as coisas corriam mal com alguém, preferia ser eu chamado à atenção do que estar a prejudicar o ambiente da equipa.
Certamente que se lembra de histórias engraçadas…
Durante todos os anos em que trabalhei na MCG foram dezenas e dezenas. Posso contar-vos uma divertida, mas que me deixou de “castigo” uma semana. Às vezes esquecia-me de “picar” o cartão de ponto [de entrada e saída] e depois assinava um papel com a assinatura do chefe, que era o José Pedro, pois eu conseguia fazer a assinatura dele tal e qual! Uma vez fui descoberto e mandaram-me para casa uma semana com uma ação disciplinar.

“O que eu sabia fazer, a experiência que tinha, eu ensinava tudo às pessoas que chegavam.”
E outras com o Sr. Manuel da Graça…?
Tantas, tantas… Mas conto-vos uma rápida que se passou cá na MCG, na portaria. Uma vez ia ele por ali abaixo na estrada com o jipe e quando chegou à portaria… levou barreira à frente! Nem deu tempo para o Segurança levantar a barreira. Dizia ele: “Vocês é que têm de ver que eu estou a aproximar-me e têm de abrir a passagem ao tempo!”.
O que acha da empresa que a MCG é hoje?
Acompanho tudo. Além de aparecer cá de vez em quando, vejo tudo através do site, da revista e do Facebook. E sempre achei que as novas ideias do José Graça Medeiros [o atual CEO da MCG, o neto do fundador] eram muito boas, que iam resultar. Foi uma viragem de 180 graus! Percebi isso porque vi que ele queria investir os lucros nas pessoas e na empresa. E houve sempre uma preocupação em melhorar as condições para as pessoas trabalharem, especialmente nas funções que são mais “pesados” e exigentes fisicamente.
É assim que deve ser: investimento nas instalações e nos recursos humanos. Para que as pessoas se sintam bem.

“Sempre houve na MCG a preocupação de melhorar as condições para as pessoas trabalharem.”
Que conselho pode dar a quem começa hoje a trabalhar na MCG?
Ser respeitador e fazer-se respeitar. E ter responsabilidade. Uma empresa como esta só tem sucesso e só pode ajudar as pessoas se formos responsáveis no trabalho. E fazer por ser amigo dos colegas, não vale a pena estar a enganar e a tentar dificultar a vida aos outros. Se eu estou bem também quero que os outros estejam bem, é assim que eu penso.
O que significou a MCG na sua vida?
Muito. Segurança para a minha vida familiar. O homem que eu sou hoje devo-o a esta empresa, porque aprendi muito com pessoas mais velhas. E os valores que aqui aprendi, passei depois para o meu filho. O que me ensinaram a mim, eu ensinei a ele. E, graças a Deus, ele está bem. A vida que eu tenho hoje, devo-o a esta empresa.
