“NA MCG HOUVE SEMPRE UMA RELAÇÃO MUITO BOA ENTRE TODOS”

É impossível não gostar de uma pessoa com a personalidade de Arlindo Sequeira Isidoro, o antigo colaborador da MCG que trabalhou durante mais de duas décadas no bar que existia no refeitório da MCG. Além do dia a dia e de uma relação muito próxima com muitos dos colaboradores da empresa, Arlindo trabalhou diretamente com os administradores da MCG ao longo do tempo, incluindo, naturalmente, Manuel da Conceição Graça, o fundador da MCG. E foram histórias e episódios destes tempos que Arlindo nos foi contando enquanto aproveitava para visitar a MCG, ficar a conhecer espaços que agora estão diferentes e reencontrar pessoas com quem trabalhou durante mais de 25 anos. Um dia repleto de recordações e emoção.

Fale-nos de como chegou à MCG…

Eu estive para ir trabalhar para o estrangeiro naquela altura, no início da década de 1980, e não fui, não foi possível. Tive um convite também para ir trabalhar para Lisboa, mas queria trabalhar mais perto da minha residência. Num dia em que eu estava a trabalhar no café Imperial, no Carregado, encontrei o Sr. Medeiros (José Medeiros, na altura Diretor Geral da MCG, hoje administrador da empresa) e pedi-lhe emprego. Corria o ano de 1981.

O Sr. Medeiros disse-me que estavam a ser construídas as novas instalações da empresa, e que iam precisar efetivamente de alguém para o refeitório e bar, mas que seria mais tarde. Mas ele acabou por me chamar ainda para as instalações antigas, estive lá três anos. Depois vim para aqui (novas instalações da MCG).

Conversa. Arlindo partilhou dezenas de histórias dos tempos em que trabalhava no antigo bar do Refeitório da MCG.

“Nos primeiros tempos nesta nova fábrica, a MCG tinha um pequeno autocarro que ia às antigas instalações e trazia os trabalhadores para cá. Era assim que eu vinha trabalhar nessa altura.”

Como foram os seus primeiros tempos de trabalho na empresa?

Nos primeiros tempos nesta nova fábrica, a MCG tinha um pequeno autocarro que ia às antigas instalações e trazia os trabalhadores para cá. Era assim que eu vinha trabalhar nessa altura. Lembro-me bem de um bar improvisado onde era antes a sala de desenhos e projetos, ainda lá trabalhei durante uns tempos, porque foi o que eu vim fazer para a MCG, trabalhar no bar.

Depois mais tarde foi inaugurado o refeitório da MCG. Era a D. Manuela, a cozinheira, e uma equipa com mais duas ou três senhoras que faziam a comida para toda a gente. Nesse primeiro dia o almoço foi bacalhau no forno. Para todos! E também bolo rei oferecido pelo Sr. Daniel Elias da padaria do Carregado. E lembro-me de o Sr. Medeiros ir connosco, com vários trabalhadores, a Lisboa para irmos buscar mantimentos e outros produtos para fazermos as refeições e para termos no bar tudo o que era preciso.

Como eu gostava daquilo que fazia, acho que não havia nada difícil no meu trabalho. Mas certos dias as coisas complicavam-se. Por exemplo, quando eu tinha o meu trabalho encaminhado e me era pedido para ir tratar de um serviço para servir numa reunião ou num encontro com alguém de fora. Ficava logo tudo alterado… Nesses dias eu depois ficava até mais tarde a arrumar as coisas, mas não havia problema. E também servia muitos jantares depois do serviço ao Sr. Manuel e aos seus amigos. Foram bons tempos!

E o Sr. Manuel da Graça…

O Sr. Manuel gostava muito do meu trabalho e eu também gostava muito do Sr. Manuel. Quando ele andava zangado com alguma coisa nos negócios, às vezes era eu que pagava! Mas demos-nos sempre bem. “Arlindo, mais vale sobrar um metro do que faltar um centímetro! Coloca aqui comida para toda a gente!”, dizia ele.

Reencontro. Arlindo com Ema Simões, com quem trabalhou durante vários anos na MCG.

“O Sr. Manuel gostava do muito do meu trabalho e eu também gostava muito dele.”

Saiu da MCG em 2003… Ainda se lembra como foi o seu último dia?

Lembro-me bem. Até chorei. Foram quase 26 anos, é quase uma vida inteira. Até 2002 a comida era confecionada por pessoas da MCG, mas depois começou-se a subcontratar uma empresa para garantir os serviços do refeitório e também do bar.

Como era a relação diária entre as pessoas?

Éramos como se fosse uma grande família. Havia uma relação muito boa entre todos, talvez fossemos uns 200 trabalhadores na altura. De vez em quando lá acontecia um problema ou outro, mas isso era normal. Até quando estamos casados temos arrufos com as nossas esposas, é normal!

Quando havia a festa de Natal e outras festas, era isso que o Sr. Manuel dizia, que éramos todos uma grande família. Lembro-me dessas festas serem feitas no edifício da Romeira, em Alenquer, porque já não cabíamos todos aqui.

Havia quatro ou cinco pessoas que geravam alguns problemas, mas de resto não havia nada a dizer. Até ao nível dos patrões, eram sempre muito atenciosos com as pessoas e tudo corria bem.

Visita. Arlindo em visita às fábricas MCG.

“Éramos como se fosse uma grande família.”

Depois de sair foi acompanhando o que a empresa tem feito, certamente. O que acha da evolução da MCG?

Eu sou quase aqui vizinho, vivo no Carregado. Vejo muitas vezes as pessoas de cá e também o Sr. Medeiros, o José Graça Medeiros e a Isabel Medeiros [respetivamente o administrador, o CEO e a Diretora de Recursos Humanos da empresa]. Saí da MCG a bem e continuei com uma
boa relação com todos.

Acho que a empresa acompanhou muito bem o passar do tempo e eu vou seguindo, vou vendo tudo na Revista M. Há muito progresso, está tudo evoluído face ao tempo que cá estive. E vi que vão construir mais fábricas ali nos terrenos ao lado que estão vazios, também. No meu tempo ainda havia muitas peças para automóveis a serem feitas à mão, trabalho manual; depois chegaram as prensas e as máquinas, e hoje está tudo modernizado, tudo automatizado. É bom.

Lembro-me de todo este espaço à volta destas fábricas ter a estrada e o chão só com terra. O Sr. Manuel andava para cima e para baixo naquele carrinho que ele tinha, ia lá ao bar com os sapatos todos sujos de lama! Mas o refeitório ainda está igual e no mesmo sítio!

Reencontro. Arlindo com Isabel Medeiros, Diretora de Recursos Humanos da MCG e neta de Manuel da Conceição Graça, fundador da MCG.

“Hoje está tudo modernizado, tudo automatizado. É muito bom.”

O que significou a MCG na sua vida?

Foi uma empresa muito boa para mim. Nunca me faltou o vencimento a tempo e horas, e até houve uma altura em que éramos para ser dispensados, eu e outro rapaz, na altura, e o Sr. Medeiros acabou por encontrar condições para ficarmos. Eu não era do ramo desta indústria, mas o meu trabalho era preciso e eu alinhei-me com a empresa. E assim fiquei cá mais de 20 anos, quase 26 anos!