“A MCG ERA COMO UMA FAMÍLIA”

José Maria Pereira trabalhou na MCG toda a sua vida: entrou para a empresa aos 19 e por cá permaneceu durante 46 anos. Do que mais tem saudades é do convívio entre colegas, dos desafios do trabalho e da forma como se transmitia o conhecimento entre os mais velhos e os mais novos. Fomos falar com um dos “históricos” da MCG.

Entrou aos 19 anos para a MCG, em 1953. Para que função?

Entrei para produzir as cabines que a empresa fazia para as camionetas da Scania. Ainda era nas antigas instalações no centro do Carregado. Foi o meu primeiro trabalho, era serralheiro. Havia uma equipa de serralheiros e uma de “bate-chapas”, entre outras. Depois o produto ainda ia pintar.

Quando entrou já sabia do ofício?

Não sabia nada. Quem me ensinou foi um rapaz amigo meu que já lá trabalhava e com quem eu me dava bem, o Sr. Agapito. Foi ele o meu mestre. Na altura era assim que se aprendia, os mais velhos transmitiam tudo o que sabiam aos mais novos que iam chegando. Durante muito tempo havia na MCG um grupo de pessoas com muita experiência e que eram uma verdadeira escola. A MCG sempre foi uma grande escola. A MCG sempre foi uma grande escola, isso é certo. Havia muita transmissão de conhecimento e experiência todos os dias.

Foi sempre serralheiro?

Não. Mais tarde “subi” a chefe dos serralheiros, mais ou menos na altura em que a produção deixou de ser artesanal para começar a ser feita na estampagem, nas prensas que tinham chegado recentemente. E eu assumi as funções de supervisor dos serralheiros que ajudavam a produzir os moldes e as ferramentas. Também passei de aprendiz a mestre, de certa forma.

Cartão de Colaborador. Este “histórico” mostrou-nos orgulhosamente o seu cartão da MCG com o número de Colaborador 3.

“A MCG sempre foi uma grande escola, havia muita transmissão de conhecimento e experiência todos os dias.”

Como era a predisposição para aprender naquela altura?

Todos os que entravam tinham muita vontade de aprender, era a única maneira de serem alguma coisa. Eram todos rapazes que colaboravam uns com os outros, havia muito trabalho em equipa. E muitos outros chegavam de outros sítios já com experiência, principalmente os “bate-chapa”.

Como se geria uma equipa?

Passar o conhecimento era difícil, mas chefiar os trabalhadores era fácil, não era preciso “apertar” com as pessoas. Éramos 32 serralheiros e, quando havia reuniões nos escritórios para decidir os aumentos de salário, esses aumentos eram sempre atribuídos a todos. O patrão dizia que precisava de todos, por isso éramos todos aumentados ao mesmo tempo. Uns recebiam mais que outros, mas não havia problema. Trabalhava-se por gosto!

Revista M. A nossa Revista M já faz parte do conjunto de recordações físicas que José Maria Pereira guarda da MCG.

O que significou a MCG na sua vida?

Foi uma vida inteira, uma vida inteira de trabalho. Olhos para trás e sinto orgulho. Víamos peças a saírem prontas, os carros na rua com as nossas peças. Mas eram tempos diferentes, agora já não sei como são as coisas e as ideias das pessoas que trabalham na MCG… Um dia destes, estava eu em Alenquer, o José Miguel Medeiros ia a passar de carro, parou e foi cumprimentar-me. A Isabel Medeiros também me fala muito bem. Este tipo de gestos deixa-me feliz e agradecido.