“TUDO NA MCG É UMA APRENDIZAGEM”

José Carlos Caseiro é uma das pessoas com mais anos a trabalhar na MCG, mesmo tendo terminado o seu percurso na empresa há pouco mais de dois anos. Muitas histórias para contar e muitos sorrisos no reencontro com antigos colegas de trabalho…

Mais de 48 anos. Quase uma vida inteira passada na MCG, várias décadas de dedicação à empresa, uma “viagem” que começou quando era “ainda uma criança”, pois tinha apenas 14 anos quando chegou. José Carlos Caseiro visitou a MCG pela primeira vez desde que terminou a sua vida profissional, pelo que se encontrou connosco na sala Manuel da Conceição Graça bastante ansioso por entrar nas fábricas e reencontrar amigos. Antes disso, a conversa foi um agradável regresso ao passado (não muito longínquo) da MCG.

Lembra-se da sua chegada à MCG?

Em 1972, a minha entrada na MCG, que ainda funcionava nas antigas instalações no centro do Carregado, aconteceu porque um amigo do meu pai fez um pedido para eu começar a trabalhar numa oficina de automóveis local. Afinal não havia vaga nessa oficina, mas lá aconselharam-me a ir à Manuel da Graça, empresa na rua mais abaixo. A 6 de Maio, desse ano, comecei o trabalho. Chorei nesse dia, porque foi um choque começar a trabalhar, e fiquei “cativo” a um mestre. Os mestres eram indivíduos que vinham de Santarém, trabalhavam na MCG, e eram especialistas na arte de bate-chapa. Nessa altura eu já fazia alguns trabalhos de oficina, até alguns trabalhos de soldadura, mas posso dizer que foi nesta empresa que aprendi tudo o que viria a saber a nível profissional.

Entrei para bate-chapa e estive até aos 28 anos nessa condição, percorri todos os escalões nessa profissão.

Fazíamos cabines para carrinhas da Scania, tudo manualmente; pelo menos 70% da produção era manual. As peças da cabine vinham em três partes, estas eram soldadas, batidas e depois existiam uns moldes para verificar se estava tudo bem antes da aplicação.

Reencontrar Amizades. José Carlos Caseiro reencontra alguns Colaboradores da MCG que com ele trabalharam no passado.

“Sigam os bons exemplos e tentem aprender ao máximo, seja no dia a dia, seja em formação.”

Na altura todos os projetos eram muito desafiantes…

Fiz parte de muitos projetos. Lembro-me bem do projeto das carrinhas e jipes Berlier, por exemplo. Fazíamos esses trabalhos numa quinta aqui ao lado destas instalações, mas nessa altura aqui onde está a MCG já existiam edifícios e já se trabalhava. Um dos projetos que aqui já eram produzidos era o projeto para os furgões Ebro, uma marca espanhola. As estruturas que montávamos para estas carrinhas chegavam de barco em caixotes de madeira, por módulos. Para-brisas, laterais, pré-instalação… Todos estes componentes eram preparados, iam à pintura manual e depois eram montados.

Seguiu-se o projeto do modelo mais recente do UMM, também. Nesta altura eu ainda era bate-chapas, acumulando outras funções. Capôs, particularmente… Componentes estampados na prensa, mas que depois precisavam de muita atenção e trabalho.

Fazíamos quatro capôs por dia! Tínhamos também o projeto da Ford P100, com componentes que eram todos trabalhados à mão posteriormente.

Várias peças, de diferentes dimensões. Foi nesta altura que passei para as funções de operário-chefe, tomava conta de uma equipa de bate-chapas. Em plena década de 1980.

Reencontrar Amizades. José Carlos Caseiro reencontra alguns Colaboradores da MCG que com ele trabalharam no passado.

“Estou sempre ligado a esta empresa, apesar de já não estar cá.”

E foi então que começou a gerir equipas?

Sim, e passei, entretanto, a chefe de equipa. Chegou um projeto com relacionado com portas para as carrinhas Combo da Opel, e foi depois, desta mesma marca, que apareceu um projeto de que gostei muito, a montagem de componentes para uma carrinha de caixa aberta da Opel. Era tudo material japonês, da Isuzu, mas saía tudo com símbolo da Opel. Tínhamos uma secção para a montagem das cabines, que eram soldadas e acabadas, seguindo depois para a montagem das portas e respetivos ajustes. Havia outra secção enorme, que era a de soldadura, com seis operários. Dava para três chassis, vários componentes soldados a TIG, que eram depois pintados. Por fim, esse chassis levava polis, depósito de combustível, pré-instalação, amortecedores, etc. Este foi um dos projetos que mais gostei e que mais conhecimento e experiência me deu.

Foi um dos maiores, sim. Tinha já muitas pessoas a meu cargo… E logo a seguir começou a produção para a AutoEuropa, que estava a iniciar negócio em Portugal. Passámos nessa altura de várias máquinas de soldar para os primeiros robôs, que já estavam mais adequados às nossas necessidades de produção. Os responsáveis de Palmela vinham cá muitas vezes, nós íamos la várias vezes. Produção, engenharia, qualidade… Uma vez até me deixaram sozinha para lá ir e quando cheguei tinha uma assistência de mais de 40 ou 50 pessoas para ouvir o que eu ia dizer! Com o passar do tempo passei a ser o responsável pelas máquinas fixas, pelos robôs, pelos balancés, e mais tarde pela soldadura MIG MAG, pelos robôs de novo e pelas prensas hidráulicas. Bem mais de 50 pessoas para gerir, de equipas diferentes.

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“Não são muitas as empresas que apresentam esta linha de continuidade [familiar].”

Como era gerir todas estas equipas?

Os colegas perguntavam: “Mas como é que consegues gerir isto tudo, como é que aguentas?”. A verdade é que eu conseguia. Era uma correria. Havia alguns problemas a ter de gerir isso e tudo o resto era um pouco cansativo. Mas não me arrependo e estas funções deram muita experiência de trabalho. Tive cá muitos bons desafios, até mesmo mais recentemente com o projeto de produção para o VW T-Roc, mas gerir as pessoas pode ter sido o meu maior desafio. Geri equipas desde os meus 28 ou 29 anos, foram mais de 30 anos a coordenar pessoas. Sempre gostei muito de liderar pessoas. Quando eu assumia, era para fazer e tinha de ser feito.

Aprendeu muito com todos estes projetos e pessoas?

Sim. Especialmente quando surgiram projetos mais recentes que precisavam de novos robôs de soldadura. Fui à ABB ter formação por pontos (ou por resistência). Havia pessoas que nos vinham cá dar formação, até, e nós íamos a outras empresas aprender a fazer as coisas, especialmente soldadura, no meu caso. Tudo o que era manuseamento e movimentação de robôs, ajuste de soldadura, definição de parâmetros, etc, era eu que fazia. A MCG sempre funcionou como uma grande escola, no fundo. Tudo na MCG é uma aprendizagem, o próprio dia a dia.

Tentei ir a todas as formações que consegui. Até formação de inglês eu fiz, além de um curso muito completo através da ATEC. O mais valioso conselho que posso dar às novas gerações é que sigam os bons exemplos e que tentem aprender ao máximo, seja no dia a dia, seja em formação. Não o façam por “castigo”, aproveitem. A formação dá um enriquecimento de conhecimento muito grande e faz a diferença no trabalho do dia a dia, na possibilidade de se ganhar mais e no desenvolvimento pessoal.

Como vê a MCG nos dias que correm?

Sinto um grande orgulho, apesar de já não estar cá. Nos tempos imediatos à minha saída, senti já uma grande evolução. Em especial nos anos mais recentes, desde a entrada do José Graça Medeiros para CEO. Admiro muito a coragem e força dele, porque gerir a MCG não deve ser fácil. É de louvar ele ter assumido a direção da empresa. Não são muitas as empresas que apresentam esta linha de continuidade, normalmente até é na terceira geração que as coisas começam a correr mal.

O que significou a MCG na sua vida?

Significou tudo. Entrei na MCG ainda criança, fiz aqui a minha juventude, aqui me fiz homem. Estou sempre ligado a esta empresa, apesar de já não estar cá.