“O PRIMEIRO ROBOT NA MCG FOI PROGRAMADO POR MIM”

José Luís Teles trabalhou na MCG 44 anos, ajudou a empresa a “abraçar” a era tecnológica e ainda tocou com a sua banda em muitas das nossas festas de Natal!

José Luís Teles é um antigo Colaborador da MCG que tem muito para dizer (e muitas histórias para contar!) sobre os anos que passou na empresa. Pessoa carismática e bem-disposta, chegou à MCG com 16 anos, “ainda a MCG era apenas um armazém no centro do Carregado, com uma carpintaria do outro lado da estrada”.

Entrou para a MCG com que idade e para fazer o quê?

Entrei na MCG era ainda um miúdo. Tinha 16 anos, talvez. Saí de trabalhar numa serralharia na Azambuja e vim para a MCG trabalhar como soldador. Vinha de motorizada todos os dias.

Bons tempos… Lembro-me que a primeira máquina de soldar a CO2 que apareceu na zona, semi-automática, veio para a MCG. Uma coisa gigante, com rodas, que conseguia soldar chapa fina e despachava muito trabalho. Não tínhamos mãos a medir. Até que fui para a tropa, para uma escola de mecânica que havia no quartel de Paço de Arcos. Tirei lá um curso de eletromecânica e eletrónica relacionada com radares.

Amizade. Ao acompanharmos José Luís Teles pela MCG não temos dúvidas de que este antigo Colaborador da empresa ainda cá tem muitos e bons amigos!

“Saí de uma serralharia em Azambuja e vim para a MCG trabalhar como soldador.”

Virou mais para a parte da eletrónica…

Quando voltei, mais de três anos depois, trouxe outros conhecimentos.

Aconteceu então o 25 de Abril de 1974, numa altura em que fazíamos as cabinas para os camiões da Scania. As coisas mudaram, mas a empresa aguentou-se muito bem. Era tudo feito à mão. Portas, capôs, tudo. As cabines para os camiões da Scania, antigamente, eram feitos de madeira, por dentro, depois é que eram chapeadas. Os moldes estavam distribuídos pelo armazém nas instalações antigas.

Enquanto responsável por uma equipa, como via acontecer a transmissão de conhecimentos aos mais novos?

Eu era o responsável por tudo o que eram trabalhos de manutenção e construção relacionados com a parte elétrica.

Primeiro, éramos responsáveis por indicar o que todos deviam fazer; depois, era importante que quem cá estivesse conseguisse ensinar quem chegava de novo. Comigo sempre foi fácil: pediam-me para fazer certo trabalho, por mais complexo que fosse, e eu conseguia.

Sabiam que fui eu que programei o primeiro robô da MCG? E tentei sempre passar essas capacidades a quem era mais novo e trabalhava comigo. Na MCG sempre foi assim. Ensinei muita gente cá na MCG. O Pedro Levezinho – uma pessoa muito esperta e desejosa de aprender -, o Nuno Simões…

Estampagem. José Luís Teles olha atento para a prensa de 3.300 toneladas da unidade de produção Metal4.

“Os robôs fazem a diferença, mas as pessoas também.”

 

O que mais o impressionou na MCG ao longo do tempo?

Temos ultrapassado muito bem três grandes crises. A do 25 de abril e depois outra, noutra altura, em que o Sr. Manuel da Graça acreditou sempre, continuou a produção para a Scania, não mandou ninguém embora. E depois a MCG acabou por vender tudo mais tarde.

A outra grande crise grande surgiu já mais recentemente, em 2008, mas a MCG deu sempre a volta por cima, felizmente. E também a passagem da empresa para as novas instalações. O Sr. Manuel da Graça comprou esta propriedade onde a MCG está agora e construiu estas instalações à base estruturas em metal. Havia muito poucas obras deste tipo, o normal era construírem armazéns com tijolo e cimento. Esta era uma grande obra.

Amizade. Ao acompanharmos José Luís Teles pela MCG não temos dúvidas de que este antigo Colaborador da empresa ainda cá tem muitos e bons amigos!

“Tenho de agradecer à firma M.C. Graça por tudo o que tenho…”

Lembra-se de histórias engraçadas?

Claro! Foram várias as festas na MCG em que toquei com a minha banda, chamada Antecipação. Era músico: ia tocar aos fins de semana, todas as noites, e muitas vezes vinha seguido para a MCG, na 2ª feira. E trabalhava todo o dia em pleno! Hoje ainda toco qualquer coisa, mas já não faço espetáculos, claro.

Outra História: Por volta de 1980, era eu que trazia na minha carrinha muita malta da MCG que vivia na minha zona de residência. Vale Paraíso, Azambuja, Vila Nova da Rainha… Eram uns 10 ou 12 e era sempre a fugir à polícia! Cada vez que eu ficava em casa, por uma razão ou por outra, eram muitos os postos de trabalho que ficavam vazios nesse dia.

Além disso, fui eu que meti a primeira mulher a soldar na MCG. Outros responsáveis da altura acharam isso estranho, mas o que é certo é que ela sabia mesmo soldar! A partir daí notou-se uma evolução, nesta e noutras empresas: deixou de haver distinção entre homem e mulher na soldadura.

O que significou a MCG na sua vida?

Significou tudo. Tudo o que tenho posso agradecer à firma M.C Graça. Podia estar melhor, podia estar pior, mas dentro do contexto da vida em geral correu tudo muito bem. Estou bem. Se pudesse voltar, fazia tudo exatamente igual e da forma como fiz. Gostei muito de cá trabalhar.