“VIVI NA MCG OS MELHORES ANOS DA MINHA VIDA!”
Maria José Silva foi a responsável dos recursos humanos da MCG durante décadas…. Fique a conhecer os tempos em que esta ex-Colaboradora trabalhava na MCG, sabendo que foi ela a primeira pessoa a ter um computador na empresa!
Durante anos, Maria José Silva processou o salário de todos os Colaboradores da MCG manualmente… Também era ela que estava responsável pelos telefonemas na empresa, ainda as centrais telefónicas eram de “cavilhas” [ligações manuais]… São estas e outras histórias que Maria José nos conta, sempre com muita saudade no modo como recorda os seus tempos de trabalho na empresa.
Fale-nos um pouco de como chegou à MCG, de como foram os seus primeiros tempos de trabalho na empresa… Qual o ano, que idade tinha?
Aos 17 anos, após completar o meu curso comercial em Vila Franca de Xira, fui tirar um outro curso de dactilografia. Depois disso, o meu pai encontrou um emprego para mim numa fábrica de parafusos, no qual estive seis meses.
Aos 18 anos, fui para outro emprego na Póvoa de Santa Iria, estive lá três anos. Mas depois soube que havia uma vaga para os escritórios da Manuel da Conceição Graça, Lda [MCG] e fui lá [a MCG ainda era nas antigas instalações, no centro do Carregado].
Fui recebida pelo Sr. Bernardo Levezinho, até que chegou o Sr. Manuel da Graça, que me perguntou onde tinha eu já trabalhado. Após uma conversa, ficou certo de que eu começaria no início do mês seguinte. Corria o ano 1970.

“Acompanho o que a empresa vai comunicando e fico bastante impressionada.”
Foi mudando de funções ou fez sempre a mesma coisa?
Durante muito tempo fiz todo o trabalho de escritório da MCG. Era tudo baseado em livros, não havia computadores, apenas máquinas de escrever. Arquivo de correspondência, livros de imposto de transações, de compras/vendas… Na altura éramos quatro pessoas numa salinha pequena junto ao gabinete do Sr. Manuel. Ah, e também atendia os telefones, ainda eram daqueles de “cavilhas”.
Entretanto, em 1977, chegou o Sr. Medeiros (ano em que José Medeiros assumiu a direção da MCG), e fomos transferidos para um novo escritório junto às fábricas, maior. Refira-se que o nosso trabalho já era da área financeira, era eu que colocava nos registos tudo o que era compras e vendas, entradas e saídas de dinheiro. O Sr. Medeiros fez questão que fosse eu a fazer este trabalho.
Logo a seguir assumi o departamento de recursos humanos, ainda em 1977. Eram 150 pessoas na MCG… O primeiro computador que apareceu na MCG foi para os recursos humanos, para fazer as fichas dos Colaboradores. O computador estava ligado a um terminal e ocupava uma sala inteira! Era nessa sala e com ele que eu processava os salários um a um. Colocava-se a ficha de cada pessoa e processava-se. E nunca falhei um mês: mesmo quando ia de férias deixava tudo preparado e quando regressava era só terminar.
Fiquei no departamento de recursos humanos até sair da MCG. Havia muito trabalho, cada pessoa tinha nove folhas para preencher! Mas adorei trabalhar cá, vivi na MCG os melhores anos da minha vida, gostei muito de trabalhar nesta empresa.

“O Sr. Manuel [da Conceição Graça] tinha uma forma diferente de ver a vida, ele estava bastante à frente do seu tempo.”
Teve oportunidades de ensinar o que sabia a outras pessoas?
Sim. Por exemplo, ensinei algumas coisas à Ema [Ema Simões, que ainda trabalha no departamento de recursos humanos da MCG] e a outras pessoas que trabalharam comigo. Sempre que existia essa oportunidade, eu fazia por passar o conhecimento aos colegas. E acho que esta era uma realidade transversal a toda a empresa, mesmo até nas fábricas. Naquela altura os Colaboradores entravam para as fábricas muitos jovens e o objetivo era mesmo aprender um ofício.
E eramos todos muito próximos uns dos outros. Ajudávamo-nos muito. Nós os cinco em concreto, nos escritórios, tínhamos uma relação muito chegada.
Como tem assistido à evolução da MCG?
Hoje é tudo muito diferente. Tudo me impressiona porque as coisas são muito diferentes do que eu fazia. Há uma evolução constante e a uma velocidade muito grande. E há uma pessoa na frente da MCG que leva a empresa “a bom porto”. Caramba, um “navio” deste tamanho… Tenho acompanhado o que a empresa vai comunicando e fico impressionada.
Aliás, as pessoas que passam ali à porta hoje não têm noção do que se passa aqui dentro… Nem sequer o que se faz cá na empresa. Eu tenho muita curiosidade em saber, por isso acompanho a empresa e tenho ideia de tudo. Mas há muita gente que não imagina sequer o que é feito hoje na MCG!

“Fui sempre muito bem tratada, como se fosse da família. Aliás, a MCG foi a minha segunda família…”
Qual foi o maior desafio das suas funções na MCG…?
O grande desafio que tive, já no departamento de recursos humanos, foi basicamente fazer tudo o que havia para fazer nesse departamento. Eu tinha de entrevistar pessoas, formá-las, e até tratar de questões jurídicas, pois havia naquele tempo alguns problemas de disciplina… Eu quase não chegava para todo o trabalho!
Este foi o meu maior desafio…
Como foi o seu último dia na MCG?
Eu saí da MCG três meses depois do que estava previsto. Avisei da minha intenção de saída um ano antes, mas ninguém acreditou, na verdade. “A Maria José diz que vai sair”, dizia um dos responsáveis da altura para o Sr. Manuel da Graça. E ele respondia: “A Maria José, sair?! Ora essa, ela faz parte da casa, faz parte da mobília, nem pensar nisso!”.
Mas aconteceu mesmo, apesar de ter sido uma surpresa para algumas pessoas. O último dia foi bastante emocionante, despedir-me naquele momento de pessoas com quem trabalhei vinte ou trinta anos…
Lembra-se de alguma história curiosa que se tenha passado na MCG e que nos queira contar?
Quando entrei, uma das tarefas que me foram atribuídas pelo meu chefe era o preenchimento de umas fichas em que era preciso fazer lançamentos bancários de todas as transações que a empresa fazia com os bancos na altura. “Aqui é o crédito, aqui é o débito, lanças todas as transações e documentos do lado certo”, disse ele. Demorei uma semana a fazer tudo, até que chegou o momento de ele ver. Estava tudo com a letra muito bem feita, tudo muito bonito. Ao ver tudo, disse ele: “Maria José, está tudo muito bem, mas… está tudo ao contrário!”.

O que melhor recorda do Sr. Manuel da Conceição Graça?
O Sr. Manuel tinha uma forma diferente de ver a vida, ele estava bastante à frente do seu tempo. E ultimamente apresentava uma visão e uma postura muito diferente da idade que já tinha.
Ele fazia tudo como se tivesse 30 anos, 30 anos para sempre!
O que significou a MCG na sua vida?
A MCG significou a minha vida. Foram 40 anos… Adoro todas as pessoas com quem trabalhei. Lembro-me delas todos os dias, lembro-me da MCG todos os dias, revisito na minha cabeça todos os dias episódios que vivi aqui. E ainda sonho com os trabalhos que fazia na MCG. Tantas vezes.
Foi uma vida inteira dedicada à MCG e não tenho nada a apontar a esta empresa, fui sempre muito bem acolhida e era tratada como se fosse da família. Aliás, a MCG foi a minha segunda família…
