Quais são os sinais mais comuns de que a Saúde Mental de alguém pode estar a ser afetada no ambiente de trabalho?
Antes de mais, acho que é importante falar da saúde como um todo. Em 1941 a Organização Mundial de Saúde (OMS) diz que a saúde é o estado completo do bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doenças.
Por isso, às vezes podemos achar que por estarmos bem fisicamente, não temos outros problemas. A parte do trabalho, como abrange a parte social, pode ser um fator de suporte ou um fator de agravamento em questões de saúde mental. Os sinais mais comuns são a ansiedade e a depressão. Os sintomas podem passar por mais agitação, medos, preocupações, stress, ataques de pânico…
Mas também a nível social devemos estar atentos a colegas que possam estar mais isolados, mais parados, desmotivados, mais “desleixados” ou que se apresentem diferentes do seu estado habitual.

Que práticas simples podemos adotar no dia a dia para cuidar da nossa saúde mental?
Voltando à definição de saúde como um todo da OMS, devemos focar-nos nas várias facetas da saúde e, nesse sentido, as práticas mais eficazes passam pelo exercício físico, uma alimentação saudável, uma boa higiene do sono, meditação ativa (atenção plena), tempo de qualidade com a família e amigos, o contacto com a natureza, praticar a gratidão e, por último, mas não menos importante, o não sofrer por antecipação – o não nos preocuparmos tanto.
Na verdade, a única coisa que conseguimos mudar, somos nós próprios e a forma como lidamos com as questões. Até há uma oração muito interessante, que não precisa de ser vista como “oração” religiosa, que é: “Dai-me a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar aquelas que posso e sabedoria para distinguir umas das outras”.
Como podemos apoiar colegas que estão a passar por dificuldades emocionais ou de saúde mental?
Basicamente é o estarmos atentos. Perceber se o nosso colega está diferente de alguma forma e se tem algum dos sintomas mencionados acima. Depois, passa por oferecermos a nossa disponibilidade para ajudar, para ouvir, tentando não impor comportamentos, do “faz isto” ou “faz aquilo” ou desvalorizar referências ao suicídio.
Caso os sintomas sejam identificados como graves, o encaminhamento para um especialista deverá ser a prioridade, se não for logo possível, eu estarei disponível para uma primeira abordagem. Os líderes também devem ter um papel determinante ao identificar um colaborador em crise, nesse sentido, deverão praticar a empatia, tratar as pessoas como pessoas e promover, sempre, um ambiente de respeito e confiança.