MCG Talks | João Nicolau: ‘Nunca passei por um sítio com uma humanização como há na MCG.’

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João Nicolau, o novo Presidente da Câmara Municipal de Alenquer, trabalhou na MCG no início da sua carreira profissional. Falámos com ele sobre essa passagem pela empresa, mas, mais importante, sobre a visão que quer concretizar para o futuro do concelho onde está localizada a MCG.

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Tomou posse há poucos meses como Presidente da Câmara Municipal de Alenquer, mas traz consigo uma ligação especial à MCG e ao mundo industrial do concelho: João Nicolau trabalhou na empresa no início da sua carreira profissional como técnico de segurança e ambiente.

Engenheiro do ambiente de formação, é agora o responsável por liderar o Município de Alenquer num momento crucial, marcado por desafios como o crescimento da região, a sustentabilidade e a atração de investimento.

Falámos com ele sobre o futuro do concelho, a importância da indústria (e da forte presença empresarial na zona do Carregado, onde está localizada a MCG) e a forma como a sua experiência em indústria poderá influenciar a visão que quer concretizar.

Tomou posse há poucas semanas. Como tem vivido estes primeiros dias à frente do Município de Alenquer?

Desde já, obrigado à MCG pelo convite para esta entrevista; é para mim uma honra. Assumi funções como Presidente da Câmara Municipal de Alenquer há exatamente duas semanas e dois dias [à altura desta conversa] e sinto que foi como entrar num comboio em movimento. E, obviamente, o comboio não para.

A Câmara é uma instituição que presta dezenas e dezenas de serviços à população no seu dia a dia. E nenhum pode parar. Neste “comboio” em andamento, sinto que é preciso agilizar tudo o que é a organização da parte burocrática. Para podermos agilizar as ferramentas de trabalho, para podermos fazer o que é preciso.

Mas também já começámos a analisar algumas áreas e a pôr um bocadinho do nosso cunho, habituarmo-nos a trabalhar uns com os outros. Porque, no fundo, somos uma equipa nova e que chegou a uma estrutura muito grande que já existia. E, portanto, há um período de habituação longo que não vai ser nem duas semanas nem dois meses; vai durar algum tempo. Para a estrutura se habituar também à nossa forma de estar, à nossa forma de gerirmos esta “casa”.

Mas o que encontrou é positivo…

Muito. Encontrei muito potencial. Primeiro, há muito potencial nos próprios recursos humanos da Câmara, nos trabalhadores, na estrutura. Ao contrário do que as pessoas muitas vezes pensam, esta estrutura é muito capaz e nem está muito envelhecida. Há muita gente nova, muitos recursos humanos novos, muitos técnicos superiores jovens e muitos dirigentes com a idade ideal para trabalhar da forma que queremos. E todos são muito profissionais. Foi uma boa surpresa.

Mas é preciso referir que se trata de uma estrutura grande. São 740 trabalhadores e um orçamento de mais de 40 milhões, e que intervém em áreas muito importantes no nosso dia-a-dia, nas escolas, desde o jardim de infância à escola secundária, nas estradas onde passamos, nos centros de saúde do nosso concelho, em todos os equipamentos culturais e desportivos…

E tudo precisa de atenção, não é? Esse será o grande desafio. Como a Câmara tem um papel importante a desempenhar em praticamente todas as áreas do dia a dia das pessoas, há uma grande responsabilidade para que tudo corra bem. Queremos ter as coisas bem oleadas e bem trabalhadas, para que no dia a dia possamos ter mais qualidade de vida.

É engenheiro do ambiente e começou a sua atividade profissional precisamente na MCG. Que memórias guarda dessa fase inicial da sua carreira?

A MCG foi o meu primeiro emprego depois do estágio profissional. Estive uns meses como investigador no Instituto Superior Técnico depois de acabar o curso, numa área de avaliação ambiental estratégica. Depois fui fazer estágio na Siemens, tendo sido selecionado logo a seguir para ficar no departamento de qualidade, ambiente e segurança da sede cá em Portugal. Foi então que surgiu a oportunidade de ir trabalhar para a MCG, para ajudar a montar o departamento de segurança e ambiente.

E eu disse logo que sim! E posso dizer que foi tudo espetacular, talvez até muito parecido com aquilo que está a acontecer agora aqui na Câmara. No sentido de chegar e “vamos lá começar isto e tentar fazer um pouco à nossa maneira”.

Entrei na mesma altura que a Catarina Henriques e era preciso fazer tudo de novo no departamento. Começámos ali os dois a estruturar o que é que cada um fazia, onde é que íamos “atacar” e os processos e as coisas foram-se desenvolvendo. Foi importante termos tido autonomia, mas mais importante ainda é que a MCG foi para mim uma grande “escola”. Foi uma experiência muito positiva.

Que impressões guardou das pessoas da MCG?

Guardei essencialmente o bom ambiente e a cultura que se vive na empresa. Só quem lá está ou esteve dentro é que sabe como é, mas posso dizer que nunca passei por outro sítio com o espírito, com o sentimento e com uma humanização tão grande como a que há na MCG. As empresas são todas diferentes, é verdade, mas o facto de ser uma empresa familiar conta muito. E às vezes as pessoas não têm noção da mais-valia que é ter a cultura empresarial e a cultura interna que existem na MCG.

Nos anos de trabalho que tenho e nos vários sítios onde passei, incluindo cinco anos de trabalho no Parlamento como deputado, nunca encontrei em parte alguma a cultura e o espírito familiar que existiam e que eu sei que existem na MCG. Isto é algo muito importante e que não é assim tão fácil de encontrar. Esse espírito é a grande diferença face a muitas empresas aqui na zona.

O que aprendeu na MCG que hoje pode ser útil na gestão do Município?

Todos os dias utilizo exemplos da indústria e exemplos da MCG. Acontecia até no Parlamento usar exemplos daquilo que tinha visto fazer e que tinha aprendido na indústria e, em particular, na MCG. O nível de organização, planeamento, a agilidade que existe na empresa é uma coisa que tem de existir na indústria e que aprendi fortemente – ter a “casa” organizada, com planeamento, com agilidade, com distribuição de responsabilidades, com assertividade, com tarefas claras e competências claras para cada elemento daquela equipa conjunta, daquela “família” conjunta que é a MCG. Isso é muito importante, porque se não pusermos esse cunho, as coisas ficam todas definidas apenas no papel.

Na Câmara, as coisas são diferentes, porque tudo está legislado; há sempre um artigo para tudo o que se faz na administração local, e isso muitas vezes distrai-nos daquilo que é essencial, que é sabermos qual é o nosso papel aqui, qual é a nossa responsabilidade, que temos de estar organizados, ter visão, planeamento e agilidade. Tudo isto não está “espiritualizado” na legislação, mas trabalhamos para conseguir avançar.

Como vê o papel de grandes empresas como a MCG no desenvolvimento económico e social do concelho?

Como sabemos, o nosso concelho é industrializado há mais de cem anos. Este edifício onde estamos, por exemplo, foi construído numa época dourada da indústria em Alenquer e as fábricas ainda cá estão. Temos uma tradição industrial muito antiga, e de indústria a sério, porque os edifícios que se veem na nossa vila eram de empresas industriais topo de gama e do melhor que havia no país. E, portanto, temos essa tradição enraizada em Alenquer e quero que assim continue a ser.

Mas é perceber qual é o papel também do Município no apoio à indústria. Principalmente, temos de ter parceiros. Temos de estabelecer parcerias com as empresas que querem investir no nosso concelho, mas especialmente com as que já cá estão. Ter estratégia, visão do que queremos para o concelho, pois não basta só termos empresas.

Na verdade, queremos ter no concelho de Alenquer empresas iguais à MCG: de base local, que cresceram neste concelho, que mantêm muitos postos de trabalho, trabalho qualificado e que geram valor acrescentado à região. Estas é que são as empresas que nós queremos para o concelho, empresas que não se traduzam apenas em atividade económica e que tragam valor acrescentado, postos de trabalho qualificados, que tragam inovação.

Sim, a MCG é uma empresa que faz isso tudo…

Claro. Termos cá boas empresas é também um cartão de visita do nosso concelho. E essas boas empresas são a MCG, na área da indústria produtiva, e também outras empresas que podem não ter a dimensão da MCG, mas que têm um potencial de crescimento enorme. Fazem coisas espetaculares, são inovadoras, muito profissionais, com visão.

Essas empresas têm de crescer e isso é muito mais importante do que às vezes atrair uma grande cadeia de logística que vem aqui colocar um terminal e que não nos vai transportar o nome da região para lado nenhum. Temos um grande potencial empresarial, estamos às portas de Lisboa, e estes são fatores que nos têm de diferenciar.

E reforço: o desafio é também equilibrar tudo isto com o resto, que é tudo o que é preciso para que as pessoas se sintam bem aqui enquanto habitantes, não só enquanto trabalhadores.

E depois é preciso gerar equilíbrio. Temos de atrair atividade económica, ter boas empresas produtivas, para termos também a receita necessária para podermos dar a uma melhor qualidade de vida às pessoas que escolhem este concelho para viver e trabalhar. E isto é uma cadeia, é um ciclo, porque essas pessoas vão alimentar mais atividade económica e mais atividade económica vai nos dar mais receita e capacidade para investir mais nas pessoas. E esse é o equilíbrio que é preciso alcançar.

Não podemos passar décadas à espera que venha de algum lado algum tipo de ajuda; temos é de colocar este ciclo a funcionar: da atividade económica à qualidade de vida, e da qualidade de vida à atividade económica. Se não ativarmos este ciclo, andamos sempre aqui a “empatar”. E o concelho precisa de desenvolvimento, precisa de crescimento, precisa de avançar.

E, quanto ao Carregado, o que é preciso fazer?

O concelho de Alenquer não é homogéneo, nem temos pretensão de que o seja. Sou de Olhalvo, mas tanto gosto de Olhalvo como gosto do Carregado e das outras freguesias. E esta pode ser uma das principais coisas a mudar, os carregadenses têm de puxar a este sentimento, e o resto do concelho tem de perceber também isso: o Carregado tem muita coisa para resolver, mas também tem muita coisa feita e tem muita coisa boa.

O concelho tem de ter orgulho naquilo que é o Carregado. Passamos décadas a colocar estigmas em cima do Carregado, e isso não ajuda ninguém. Esse sentimento sobre o Carregado tem de mudar. E a MCG teve um papel importante nesta minha visão. Trabalhar lá fez-me ter muito mais contacto com a zona, com as pessoas, com a própria comunidade do Carregado.

Como conseguimos mudar isto? A Câmara tem aqui um papel importante… Na melhoria dos espaços públicos, na atividade cultural. A atividade cultural dá-nos mais sentimento de comunidade, e sinto que no Carregado faz falta atividade cultural. Atividade cultural, associativa, etc. A Câmara pode e deve ajudar nisto, até através da comunicação e da proximidade, algo que temos de criar.

Por onde começar…?

Há dois projetos que têm de avançar rapidamente. Um é o projeto de ligação do Carregado à Meirinha, para aproximar um pouco mais o Carregado ao Tejo – falamos de uma ciclovia e da reformulação do espaço que liga a vila do Carregado ao rio Tejo e ao rio grande da Pipa, e também fazer uma aproximação à estação de comboios, melhorando as condições de circulação, seja a pé, de bicicleta, ou de transportes públicos.

E depois o “famoso” parque urbano do Carregado, que é algo de que se fala há imenso tempo, mas que tem de facto de avançar. Há vários passos a dar antes de conseguirmos chegar lá, mas a verdade é que ainda hoje [novembro 2025] anotei ali várias situações que temos de resolver para caminhar nesse sentido.

Mas queremos também fazer uma reestruturação da vila do Carregado, melhorando o espaço urbano e dando-lhe brio, qualidade, limpeza. Tem de ser um local bonito. Temos de ter orgulho do nosso espaço público. Tudo isto faz mudar a perspetiva das pessoas sobre o sítio onde moram. Isto faz diferença.

A zona industrial também precisa de alguma melhoria do próprio espaço, de organização, para estarmos estruturados como de facto deve estar uma grande área urbana como é neste momento Alenquer e o Carregado. Esta é e será no futuro uma zona urbana praticamente contínua, por isso tem de haver ali elos de ligação estruturados, algo que ajudará o nosso concelho a ser ainda mais atrativo e competitivo.

Quero que daqui a quatro anos pelo menos algumas das partes deste plano estejam feitas, e ter outras em cursos e planeadas. Não é possível termos uma visão para apenas quatro anos, esta tem de ser uma estratégia de longo prazo, mas quero que daqui a quatro anos já se note alguma diferença no espaço público, e naquele sentimento de: “Sou do concelho de Alenquer, sou do Carregado, sinto orgulho em viver aqui”.

O que o motiva hoje, como pessoa e como Presidente, a servir o território onde nasceu e cresceu?

Eu nasci aqui, vivo aqui, cresci aqui, tenho cá praticamente cem por cento da minha família. Os meus amigos. Tenho toda a minha vida aqui. E isso motiva-me e dá-me também muita responsabilidade. Aquilo que eu e as minhas equipas fizermos, de bem ou de mal, é parte do que vai ficar para os meus amigos, para a minha família, para o meu filho. E, portanto, isto é a grande motivação.

Esta é a missão da minha vida. De corpo e alma, de dia e de noite. E tudo vai ter de correr bem. Vou esforçar-me para ajudar a dar à Câmara, aos serviços da Câmara, a agilidade, a organização, o foco e a visão que é preciso. Para ficarmos todos descansados connosco próprios.

Esta gestão “mexe” com a vida de toda a gente e isto é uma grande drive, é uma grande força a puxar por nós. E é uma responsabilidade muito grande também; por isso digo que é uma missão de uma vida, e há foco a 100% da nossa parte para os próximos anos.

Que mensagem gostaria de deixar aos colaboradores da MCG?

Trabalhar em algum lado é sempre trabalhar em algum lado. Mas trabalhar é uma coisa que tem de ser importante para nós e para a empresa. Trabalhar na MCG é especial no sentido de que podemos aproveitar para aprender muito ao longo do nosso percurso. E não falo de aprender fazendo formação ou obtendo mais diplomas e mais certificados; falo de aprender nas nossas competências enquanto trabalhadores e enquanto pessoas.

O nosso lado humano no trabalho, a proximidade, a igualdade, o respeito por todos, desde o chão de fábrica até ao José Miguel [CEO da MCG], passando por toda a estrutura da empresa. Esse respeito, essa proximidade e essa igualdade constituem algo muito importante e que fica para a vida. E não é só isso, é também o que podemos aprender em termos de organização, planeamento e competências profissionais.

Assim, a minha mensagem é que as pessoas aproveitem bem esse tempo de aprendizagem na MCG. Foi o que me aconteceu, e fiz para que fosse bom para ambas as partes; enquanto trabalhador, tenho de ajudar a empresa a crescer. Por vezes só mais tarde temos esta consciência, mas é uma grande mais-valia estarmos dentro de uma organização como a MCG, com a proximidade que tem.

Porque trabalharmos numa empresa sem esse “lado” próximo não nos deixa aprender metade do que conseguimos aprender numa casa como a MCG. Quer trabalhem lá um ano, 20 ou 30, as pessoas devem aproveitar bem tudo isto.


José Miguel Nicolau – Presidente do Município de Alenquer

Licenciado em Engenharia do Ambiente pelo Instituto Superior Técnico, José Miguel Nicolau, nascido em 1988 em Olhalvo, concelho de Alenquer, começou o seu percurso profissional na MCG, e em paralelo com uma vida política iniciada bastante cedo, na Juventude Socialista.

É também pós-graduado em Direito do Ambiente pelo ICJP da Faculdade de Direito de Lisboa e foi deputado à Assembleia da República nas Legislaturas XIV e XV, eleito pelo Partido Socialista. Desde outubro de 2025 que é o novo Presidente da Câmara Municipal de Alenquer, onde integra a Assembleia Municipal desde 2013.