A Vida de Manuel da Conceição Graça - Pt. II


VALORES MÁXIMOS: FAMÍLIA E TRABALHO

Manuel da Conceição Graça tornou-se um profissional de excelência muito cedo na vida, mostrando desempenho e rigor acima da média face aos seus colegas de trabalho em oficinas.

Entretanto, após ter cumprido o serviço militar obrigatório e ainda a trabalhar nas oficinas de João Floriano, recebeu uma proposta irrecusável da parte de um antigo colega: montar uma oficina no Carregado.

Foi assim que Manuel da Conceição Graça criou a sua primeira empresa, em 1945, juntamente com dois outros sócios, apesar de, passados apenas alguns meses, um deles ter abandonado a sociedade. Mais algum tempo depois, por notar que o seu sócio era pouco rigoroso na gestão do negócio, decidiu que a única solução seria a saída de um deles da empresa.

Manuel da Conceição Graça avançou assim para a aquisição da firma por 30.000$00. Na mesma altura, iniciou o seu primeiro pedido de empréstimo ao BNU, no valor de 8.000$00.

Começou assim o trabalho numas pequenas instalações propriedade de António Rodrigues Vaz Monteiro, dono de uma das maiores quintas do Carregado.

Mas depressa Manuel da Conceição Graça acertou o trespasse de material, maquinaria e umas instalações maiores e vindas de outro negócio na mesma área. As obrigações eram muitas, mas tinha chegado a altura de assumir a responsabilidade.

Constituição de família

Nessa altura, Manuel da Conceição Graça uniu-se pelo matrimónio com a sua esposa Maria José. O casamento teve lugar a 3 de Setembro de 1950, tinha o fundador da MCG 27 anos. E curiosa foi a forma de economizar dinheiro e preencher alguma falta de trabalho na oficina: produziu ele próprio as mobílias para a sua casa.

Mais curioso ainda foi um episódio decorrido na noite do seu próprio casamento. Pelas 3 horas da madrugada apareceu-lhe à porta um senhor muito aflito porque tinha um camião capotado na estrada e o trânsito não podia circular.

O protagonista desta história, que já por essa altura era dono de um “pronto-socorro” capaz de rebocar veículos pesados, nem numa noite tão especial como aquela conseguiu recusar ajuda a quem mais precisava…

Manuel da Conceição Graça nos anos em que iniciou a sua atividade empresarial.
O veículo de emergência que Manuel da Conceição Graça tinha em 1950.

Com a compra da referida firma, o protagonista desta história vivia dias preocupados, muito por causa da escassez de trabalho e da responsabilidade de ter de pagar vencimentos aos seus operários.

Passava assim muito do seu tempo em busca de negócio e, certo dia, ao atravessar a Praça do Chile, em Lisboa, de moto, parou num café para comer qualquer coisa. Um senhor mais velho, ao ver Manuel da Conceição Graça comer com tanto apetite, encetou conversa, revelando que era proprietário de três carrinhas e três máquinas de passar filmes. A sua atividade era andar pelas zonas rurais a “vender” sessões de cinema.

Cinema no Carregado!

Ao ouvir isto, Manuel da Conceição Graça pensou logo em passar cinema nas suas instalações. Propôs ao senhor um negócio em que ele lhe cedia uma das máquinas a troco de 30% do valor das entradas.

Firmou-se o negócio e a partir de então o Carregado, localidade onde está hoje a MCG, passou a ter cinema: uma sessão ao sábado e duas ao domingo!

A sala de cinema era na oficina da sua empresa. Era preciso retirar tudo ao fim de semana para montar bancos feitos com tábuas de caixas de carga colocadas em cima de cepos.

Foram muitas noites em branco após os dias de cinema, já que era necessário repor todas as condições para a semana normal semana de trabalho.

Foi assim que o fundador da MCG conseguiu reunir dinheiro suficiente para a aquisição de uma outra empresa no seu ramo de negócio, dando mais um importante passo no seu percurso empresarial.

Manuel da Conceição Graça em momentos de lazer com os seus amigos.
Manuel da Conceição Graça, à direita, na festa do Carregado, na década de 1960.